O Diretor Executivo da Softplan, Moacir Marafon, abriu a série de webinários promovido pela ABDER – Associação Brasileira de DERs, no Projeto Movimento Tecnológico nas Estradas. O projeto, idealizado pelo presidente da Associação, Riumar dos Santos, traz 10 grandes nomes da tecnologia no setor rodoviário.

A apresentação de Marafon abordou como o novo coronavírus provocou grandes mudanças no comportamento do cidadão e na forma como os DERs estão utilizando a tecnologia para adaptar seus processos ao novo cenário e as expectativas desse novo cidadão.

Marafon é uma referência quando o assunto é Inovação e Tecnologia no setor público e trouxe para sua apresentação uma visão de futuro, mas sem tirar os pés do chão. Veja alguns dos tópicos abordados nesse webinário:

O home office e os impactos na mobilidade urbana

O dilema entre ficar seguro em casa e sem dinheiro ou sair de casa para trabalhar e se contaminar com COVID-19 provocou uma das maiores e mais rápidas mudanças comportamentais globais. De uma hora para outra aquilo que era uma tendência passou a ser a realidade. O Home Office, por exemplo, que foi introduzido em muitas empresas e órgãos públicos como algo provisória, já é considerado uma saída permanente para muitos setores. Os benefícios do trabalho remoto podem ser medidos por inúmeras pesquisas que comprovam a redução do volume de tráfego, na redução da criminalidade e do índice de acidentes de trânsito. Em muitas situações, o trabalho remoto trouxe, inclusive, um aumento de produtividade com a redução de tempo perdido em engarrafamentos e deslocamentos.

Segundo a pesquisa André Miceli, da FGV, a pandemia do novo coronavírus deve fazer com que o trabalho remoto cresça 30% após a retomada das atividades. Ele ainda diz que o home office já se mostrou efetivo e aliado a isso, as pessoas tiram os carros da rua, desafogam o transporte público, mobilizando a economia de outra forma. Além de fazer com que as pessoas tenham mais tempo para cuidar da saúde e possam usufruir de coisas que lhe dão prazer – tudo isso sem redução na qualidade das entregas e do faturamento das empresas e instituições.

A Transformação Digital nos DERS

Os pilares dessa Transformação estão pautados em Processos, Tecnologias, e principal em Pessoas. Não adianta termos os melhores processos e as ferramentas mais modernas se as pessoas não entenderem sua importância nessa Transformação. E, o interessante disso tudo que as pessoas estão sendo influenciadas e modificadas pela Transformação Digital mesmo sem perceberem. Podemos ver essa mudança de comportamento quando analisamos como classificamos o que consideramos necessidades básicas.

Nas estradas essas mudanças de comportamento podem ser percebidas em pontos de atendimento para transportadores de carga e usuários das vias estão se adaptando por uma questão de sobrevivência, deixando, muitas vezes, caminhoneiros sem local pra comer e tomar banho.

Com o aumento das áreas urbanas, as rodovias passam a fazer parte dos ambientes urbanos. E o grande desafio dos DERs será apoiar essas mudanças para que essa nova mobilidade urbana possa realmente acontecer, ao mesmo tempo que promove a conexão entre o Órgão Público e o usuário da via.

Tecnologia em Obras Públicas

Nos processos de execução das obras públicas muitos são os passos para as medições das execuções, são documentos transitando entre as empresas contratadas e o DER, assinaturas físicas no papel e mais burocracia para encaminhamento interno, a mesma pasta transitando pela mão de muitas pessoas de vários setores.

Tecnologia na Fiscalização das rodovias

A fiscalização – um dos principais papeis do DER que garante a segurança dos usuários das vias públicas, exige a presença em campo e ainda depende, significativamente, da abordagem física dos condutores pelos agentes de trânsito. Nas abordagens, mais contato para a verificação de documentos em papel – infeliz agente transmissor.

A Tecnologia nos permite aumentar a capacidade de fiscalização e também diminuir a necessidade de contato, utilizando soluções para verificar a regularidade de documentos como Regularização do Licenciamento (CRLV), Multas, AET´s , Cargas Perigosas, Identificação de Veículos Roubados ou com Busca e Apreensão.

Tendência Low Touch

Nesse mesmo mundo low touch que estamos experimentando, e em que viveremos no futuro, não é necessário ir ao órgão solicitar a autorização ou a regularização da ocupação onerosa da faixa. Já é possível fazer, tudo isso, via soluções de TI especializadas. Já é vistoriar todas as áreas de ocupação da faixa de domínio por imagens aéreas de satélites, drones e VANTs, que trazem a precisão necessária para identificação de ocupações irregulares ainda dentro do órgão, e só depois deslocar os agentes para uma fiscalização in loco.

Por meio de imagens de satélite é possível criar camadas de visualização das informações de maneira a encontrar os pontos onde há ocupações irregulares – na segurança do escritório, preparando as fiscalizações de maneira mais efetiva, e até 30% mais barata.

Serviços Online

Em Minas Gerais, por exemplo, o DER iniciou o processo digital com o Portal de Multas. Uma plataforma que atende – não apenas as pessoas de Minas, mas de todo o Brasil que circulam pelas rodovias mineiras. O Portal fez com que os processos que entram no DER já sejam 100% digitais e agiliza todo o andamento das demandas. Tudo funcionando perfeitamente, mesmo em tempos de isolamento social. Os ganhos da digitalização no DER de Minas entrou numa segunda etapa onde, agora, a assinatura digital está presente nos processos e não é mais necessária a troca de documentos físicos entre os setores.

A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia – Agerba, disponibiliza serviços online que, até o começo desse ano, ainda eram feitos apenas de forma presencial. Parece algo simples, mas com a premissa de “ficar em casa”, poder solicitar serviços relacionados a cadastro, veículos, vistoria, linhas e licenças – em segurança, traz um grande impacto na vida das pessoas.

Aplicativo Mobile para equipes de campo

Já no Distrito Federal, a gestão da faixa de domínio pelos fiscais é feita por aplicativo mobile. O fiscal pode seguir trabalhando sem precisar de contato físico ou movimentação de documentos em papel. Além de preservar a saúde das equipes de rua, o uso do aplicativo mobile aumentou expressivamente a arrecadação do órgão, otimizou recursos e potencializou o trabalho das equipes.

Hoje, em Santa Catarina a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, SIE, consegue fiscalizar, mesmo sem acesso à internet, aproximadamente 100.000 ocupações cadastradas, com mais de 1.500 Autos emitidos pelo sistema desktop, com um aumento da arrecadação de Faixa de Domínio de R$ 4 milhões, durante os 12 meses de 2019, para R$ 1,7 milhões apenas no primeiro trimestre de 2020. Isso levando em consideração uma realidade de um quadro reduzido de engenheiros fiscais.

Para assistir a apresentação completa, acesse o link

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