Pode parecer que o assunto sobre o isolamento social, trabalho remoto e os cuidados com a saúde já estão batidos. Mas a cada dia novos desafios surgem dessas premissas e cada pessoa tem vivido seus dilemas a seu modo. No setor privado as adaptações vêm seguindo um ritmo muito acelerado onde muitas empresas já instauraram o home office como prática oficial e outra parte delas, cancelaram qualquer retorno aos escritórios em 2020. Mas e no setor público? Como anda esse processo de adaptação? Que desafios estão sendo considerados e como estão sendo contornados? 

Buscando entender esse cenário do “novo normal”, a startup WeGov, espaço de aprendizagem para inovação no setor público, promoveu, no último dia 18, o evento Inovação a Serviço, que reuniu profissionais que estão atuando diretamente na solução desses conflitos. Uma das ações incentivadas durante o evento foi a doação de valores para o Movimento União Rio, que promove ações voluntárias da sociedade civil do Rio de Janeiro e organizações não governamentais comprometidas em reduzir os impactos da atual pandemia da Covid-19. 

Entre os palestrantes falaram o apresentador da Rede Globo Luciano Huck, o Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, a coordenadora Jéssika Moreira do Íris, do Laboratório de inovação do Governo do Ceará, Melina Rissa, do Instituto Igarapé, Marcella Coelho, do Movimento União Rio, Leandro Machado, do AGORA, Camila Medeiros e Guilherme Almeida Diretor, do GNOVA – Laboratório de Inovação e gestores públicos da ENAP. 

Segundo um dos fundadores da WeGov, André Tamura, o tema foi escolhido devido a uma necessidade dos servidores públicos em discutir e trocar ideias sobre o assunto. Segundo Tamura, alguns órgãos públicos criaram projetos específicos para auxílio e apoio aos cidadãos e essa troca de informações está fazendo com que os governos – de todas as esferas, possam encontrar soluções que atendam às necessidades. “A Justiça Federal no Espírito Santo, por exemplo, fez um projeto apoiado pela WeGov e criou um BOT de atendimento para tirar dúvidas sobre prazos e outros assuntos relacionados a Justiça”, comenta Tamura. 

O protagonismo do setor público para superar os atuais desafios no Brasil 

O evento provocou a discussão sobre a nova realidade vivida pelas pessoas, sejam elas servidores ou cidadãos. Segundo Tamura, esse “novo normal” não é algo que está pronto, mas uma mudança que vinha sendo percebida discretamente e que ganhou força com a pandemia. “Voltou para o setor público um protagonismo de encabeçar alguns projetos, com o setor privado e o terceiro setor. É uma grande possibilidade de que as conversas se tornem concretas. O teletrabalho já existia em alguns órgãos e setores públicos, mas faltava comprovar e validar os ganhos e benefícios. Se o setor público conseguir encabeçar uma estratégia de transformar serviços isso vai ser muito bom para o nosso país e para o mundo”. 

Tamura também ressaltou os grandes desafios do setor público como um grande prestador de inúmeros serviços. “A qualidade dos serviços que o cidadão recebe do governo e das empresas são penosos, mas o governo é sempre visto como vilão, mas o cidadão não considera a enorme variedade de serviços que o governo tem de prestarQual empresa privada teve que entregar para milhões de usuários do dia para a noite?” Lembra ele sobre a recente ação da CAIXA no lançamento do aplicativo para o recebimento do auxílio emergencial por conta do coronavírus. 

Um dos aprendizados desse momento é a necessidade do órgão se mostrar transparente e usar linguagem simples, enfatiza o diretor executivo da WeGov. Assim como a participação ativa dos cidadãos, que não devem se portar como mero reclamante.  

Tamura ainda destaca que no evento se conseguiu reunir alguns lugares de fala que convergiram na mesma ideia “daqui há alguns anos as pessoas vão querer qualidade de serviço, em todas as esferas, vão querer a vida resolvida, a prestação boa de serviços. 

Inovação 

Um dos palestrantes, Guilherme Almeida, falou sobre o papel dos Laboratórios de Inovação na pandemia. Para ele, os laboratórios conseguiram se organizar melhor por já conhecerem melhor metodologias e ferramentas para essa mudança. Almeida comentou na sua fala que os órgãos públicos buscam entender como se trabalhar em home office e que existem vários exemplos de adaptação desses serviços, mas afirma que os órgãos que possuíam as áreas de inovação em suas estruturas foram os que melhor conseguiram se adaptar em menor tempo. 

Colaboração 

Outro tema muito debatido no evento foi a colaboração entre setores público, privado, sociedade civil organizada e ONGs. Marcella Coelho, trouxe o assunto Colaboração Exponencial para alertar sobre como a pandemia expôs fragilidades das áreas públicas de saúde e que, sem essa colaboração voluntária não seria possível o trabalho das equipes de Saúde. Marcella é uma das fundadoras do Movimento União Rio, que foi divulgado pelo evento, e que já distribuíram mais de 1 milhão de EPIs para a área de saúde e atenderam mais de 200 mil famílias com itens de saúde e higiene. “Cada EPI entregue é a chance de uma família a menos enlutada”, afirma. 

 

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