As entrevistas foram realizadas entre abril e maio deste ano, período em que administrações públicas passaram a funcionar de forma remota para cumprir quarentena

Diversos serviços que eram realizados “cara a cara” precisaram se adaptar ao universo digital para atender as regras de distanciamento social adotadas para o combate à covid-19, incluindo aqueles oferecidos por órgãos públicos, e as avaliações não são positivas.

De cada 10 brasileiros que usaram serviços digitais oferecidos por órgãos públicos das três esferas (federal, estadual e municipal), 6 se mostraram insatisfeitos, segundo pesquisa da Softplan, especializada em soluções de digitalização.

As entrevistas com quase 200 pessoas foram realizadas de forma remota nas cinco regiões do país, entre abril e maio deste ano, período em que administrações públicas passaram a funcionar de forma remota para cumprir a quarentena.

Na região Norte a parcela de insatisfeitos é maior, com 80% dos entrevistados. Na análise da equipe de pesquisadores da Softplan, esse alto percentual de desagrado pode ter relação com o baixo desenvolvimento da tecnologia nessa região.

Segundo a mais recente Pesquisa Tecnologia da Informação e Comunicação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referente a 2018, pouco mais da metade dos lares na região Norte (53,4%) conta com banda larga fixa, enquanto nas demais regiões essa proporção variou entre 74,7% e 78,5%.

As regiões Sul e Sudeste são as que têm uma parcela maior de pessoas satisfeitas com os serviçosresposta dada por 31% e 32% do respondentes, respectivamente.

Serviços on-line de prefeituras

A maior parte da população (62%) conhece os serviços on-line disponibilizados pelas prefeituras.

O Norte segue sendo a região onde uma parcela maior de pessoas desconhece os serviços ofertados(60%), enquanto no Nordeste há a maior parcela de informados (70%).

Em todo o Brasil, 67% dos respondentes disseram ter usado neste ano algum dos serviços digitais oferecidos pelo município onde moram. Sobre a satisfação em relação a experiência, houve praticamente um empate entre os que relataram indiferença (42%) e os insatisfeitos (40%).

O que melhorar?

O estudo também questionou sobre em quais áreas deveria haver melhora da oferta de serviços públicos digitais.

As respostas mostram que as pessoas querem que sejam priorizadas as digitalizações do agendamento de consultas médicas (44%) e a emissão de documentos (30%), em comparação com outros serviços como educação a distância (6%) e fiscalização de obras (15%).

Para a maior parte dos respondentes também deveria ser priorizada a transformação digital dos serviços que oferecem benefícios diretos à população, como evitar que tenham de se deslocar para solicitar atendimento e obterem mais agilidade no acesso a serviços.

Já questões como maior transparência do órgão e economia de recursos públicos proporcionada pelos serviços digitais ficaram nas últimas posições no ranking de prioridades dos entrevistados.

Por Weruska Goeking, Valor Investe — São Paulo
Matéria completa: Valor Investe

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